Mario Andretti, o maior nome da família Andretti no automobilismo mundial — campeão da Indy 500 e da Fórmula 1
Há nomes que transcendem o esporte. Na Fórmula 1, é Ferrari. No futebol americano, é Lombardi. No automobilismo americano, o sobrenome que carrega peso histórico equivalente é, sem dúvida, Andretti. Por três gerações, essa família moldou a identidade das corridas nos Estados Unidos — e a Andretti Global é, hoje, a expressão mais ambiciosa dessa herança. Com carros na IndyCar, olhos na Fórmula 1 e Will Power entre seus pilotos em 2026, a equipe, portanto, nunca esteve tão em evidência.

Mario Andretti: o nome que deu sentido a tudo
Para entender a Andretti Global, é preciso começar por Mario Andretti — e, para entendê-lo, é preciso entender que sua história é quase impossível de acreditar. Nascido em Montona, na Ístria (hoje Croácia), emigrou para os Estados Unidos em 1955 como refugiado de guerra. Chegou sem dinheiro, sem contatos, sem inglês fluente. Vinte anos depois, era campeão mundial de Fórmula 1 pela Lotus (1978) e vencedor da Indianapolis 500 (1969) — uma combinação que apenas três pilotos na história conquistaram.
Além disso, Mario foi campeão da USAC (1965, 1966, 1969), venceu as 12 Horas de Sebring e as 24 Horas de Daytona. Em outras palavras, é o piloto mais versátil da história americana — e possivelmente um dos três ou quatro maiores de todos os tempos, em qualquer categoria. Portanto, quando seu filho Michael decidiu fundar uma equipe, ele não estava construindo sobre areia: estava erguendo sobre uma das bases mais sólidas do esporte a motor.
Michael Andretti: de piloto a construtor
Michael Andretti herdou o talento e a ambição do pai. Desta forma, foi um dos melhores pilotos de IndyCar dos anos 1980 e 1990, com mais de 40 vitórias na categoria, antes de tentar a Fórmula 1 em 1993 pela McLaren — uma experiência turbulenta que durou apenas 13 corridas, com resultados abaixo do esperado. No entanto, ao contrário do que muitos previam, o fracasso na F1 não o abateu. Ao contrário, transformou-o.

Assim, em 1994, Michael fundou a Andretti Autosport — hoje rebatizada Andretti Global — e começou a construir o que viria a ser uma das equipes mais vitoriosas da IndyCar. Sua visão era clara: criar uma estrutura profissional, capaz de competir com a Penske e a Ganassi em igualdade de condições. Levou tempo, mas o resultado, consequentemente, está na contagem de vitórias.
A conexão brasileira: São Paulo e o público do Brasil
Além disso, para os fãs brasileiros de automobilismo, a Andretti tem um significado especial. A equipe participou das edições da Indy Brasil, corrida realizada no Sambódromo do Anhembi em São Paulo entre 2001 e 2013, e construiu uma relação calorosa com o público nacional. Ryan Hunter-Reay, Tony Kanaan e outros pilotos da equipe foram ídolos nas arquibancadas paulistanas — e a torcida retribuía com uma paixão raramente vista em outras etapas do calendário.

Indy 500: vitórias que definem uma equipe
Por outro lado, a grandeza de uma equipe de IndyCar se mede, antes de tudo, na Indianapolis 500. E a Andretti Global tem muito a celebrar nessa frente. A primeira vitória na corrida mais famosa do mundo veio com Ryan Hunter-Reay em 2014 — num duelo dramático com Hélio Castroneves na última volta, decidido por 0,0600 segundos. Foi a vitória mais apertada em décadas, e a festa no paddock da Andretti durou dias.

Dois anos depois, no entanto, a equipe protagonizou um dos momentos mais improváveis da história da corrida. Alexander Rossi, estreante na Indy 500 em 2016, venceu na estratégia — economizando combustível de forma calculada nas últimas voltas quando todos esperavam que ficasse sem gasolina. A vitória de Rossi com a Andretti entrou imediatamente para o folclore da corrida.

Will Power e a maior transferência de 2026
A temporada 2026 trouxe à Andretti Global a maior contratação do mercado de pilotos: Will Power, o australiano com o recorde absoluto de poles na IndyCar — 71 e contando —, trocou a Team Penske — onde passou mais de 15 anos — pela rival direta. Foi uma das maiores movimentações da história recente do esporte, equivalente, em simbolismo, a um piloto saindo da Ferrari para a Mercedes.
Consequentemente, a chegada de Power elevou ainda mais o nível técnico e de experiência da equipe. Com ele, a Andretti passa a ter quatro pilotos capazes de vencer corridas e brigar por pódios — algo que nem a Chip Ganassi Racing pode dizer com tanta clareza.
Pilotos Andretti Global — IndyCar 2026
| Carro | Piloto | Nac. | Vitórias | Poles | Títulos | Destaque 2026 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| #26 | Will Power 🇦🇺 | Austrália | 45 | 71 (recorde) | 2× (2014,2022) | Recorde absoluto de poles — chegou da Penske após 17 anos |
| #27 | Kyle Kirkwood 🇺🇸 | EUA | 5 | 3 | — | Líder do campeonato 2026 após vencer em Arlington |
| #28 | Marcus Ericsson 🇸🇪 | Suécia | 1 | 1 | — | Vencedor Indy 500 2022 — 1ª pole na IndyCar em Arlington 2026 |
Andretti Global em números (até abr/2026)
| Estatística | Total |
|---|---|
| Fundação | 2003 (Michael Andretti) |
| Motor | Honda |
| Vitórias IndyCar | 60+ |
| Títulos IndyCar | 3 (Kanaan 2004, Wheldon 2005, Hunter-Reay 2012) |
| Vitórias Indy 500 | 4 (Wheldon 2005, Hunter-Reay 2014, Rossi 2016, Sato 2017) |
| Família Andretti | Mario (F1 1978, Indy 500 1969) · Michael (42 vitórias IndyCar) |
A batalha pela Fórmula 1: sonho ou realidade?
Nesse cenário, nenhum projeto recente no automobilismo gerou tanta polêmica quanto a tentativa da Andretti Cadillac de entrar na Fórmula 1. A FIA aprovou a candidatura em 2023, reconhecendo que a equipe cumpria todos os requisitos técnicos e financeiros. No entanto, a Formula One Group — controlada pela Liberty Media — rejeitou a entrada, alegando que uma nova equipe não agregaria valor comercial suficiente ao campeonato. A decisão gerou reações furiosas nos Estados Unidos, com congressistas americanos pressionando pela entrada da equipe.
O debate, portanto, continua em aberto em 2026. Para Michael Andretti, trata-se de uma questão de princípio: seu sobrenome pertence à história da F1 tanto quanto qualquer outro. Para os atuais times, por sua vez, é uma questão financeira — cada nova equipe dilui a fatia do dinheiro distribuído pela FOM. O desfecho ainda está por ser escrito, mas a luta da Andretti pela F1 já é, por si só, um capítulo memorável do esporte.
O legado Andretti: três gerações, uma obsessão
Da Ístria destruída pela guerra à vitória na Fórmula 1. Do fracasso de Michael na McLaren à construção de uma das maiores equipes da IndyCar. Da rejeição pela FOM ao recrutamento de Will Power e à liderança de Kirkwood no campeonato 2026. A história da Andretti Global é, acima de tudo, uma história de resiliência — a capacidade de transformar obstáculos em combustível.
Hoje, com três pilotos competitivos, uma estrutura técnica de primeiro mundo e os olhos do mundo atentos à sua batalha pela F1, a Andretti Global vive, desta forma, um de seus momentos mais empolgantes. O título da IndyCar — que ainda falta à era Michael como proprietário — parece mais próximo do que nunca. E quando vier, chegará carregando o peso de três gerações que, invariavelmente, nunca desistiram de correr.