AJ Foyt, o maior piloto americano da história — quatro vezes vencedor da Indianapolis 500 e sete vezes campeão nacional
Há nomes no automobilismo americano que não precisam de apresentação. Foyt já basta. Anthony Joseph Foyt Jr. é a personificação do esporte em sua forma mais bruta e autêntica: um piloto que venceu tudo que havia para vencer, um construtor que sobreviveu a décadas de mudanças, e um texano que transformou teimosia em legado. A AJ Foyt Enterprises não é apenas uma equipe de corrida. É a organização mais antiga ainda em atividade na IndyCar — uma instituição viva que remonta a 1965 e que, ao contrário de tantas outras, recusou-se a desaparecer.

AJ Foyt: o piloto que fez tudo
A história da equipe começa, inevitavelmente, com o homem que lhe deu o nome. Nascido em 16 de janeiro de 1935 em Houston, Texas, Anthony Joseph Foyt Jr. cresceu entre motores e ferramentas na oficina do pai. Correu karts, midgets e stock cars antes de chegar à IndyCar — onde se tornaria o maior piloto americano da história.
Quatro vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis (1961, 1964, 1967 e 1977), sete títulos nacionais USAC e um currículo que inclui a Daytona 500, as 24 Horas de Daytona e as 24 Horas de Le Mans. Foyt é o único piloto na história a ter vencido todas essas quatro corridas — um feito que nenhum outro atleta replicou em mais de cinquenta anos. Não era apenas velocidade: era uma combinação rara de talento bruto, instinto mecânico e uma determinação que beirava a obsessão.

De piloto a proprietário: a origem de tudo
AJ Foyt fundou sua equipe em 1965, enquanto ainda competia nas pistas. Não havia separação clara entre piloto e chefe de equipe — Foyt era os dois ao mesmo tempo, e fazia questão de estar em todo lugar: no cockpit, nos boxes e na oficina. Essa dualidade definia quem ele era.
A transição definitiva para proprietário aconteceu gradualmente ao longo dos anos 1970 e 1980, quando Foyt foi reduzindo suas participações como piloto e ampliando a estrutura da equipe. Em 1977, ele venceu sua quarta Indy 500 ao volante de um carro com seu próprio nome na lateral — um símbolo definitivo da fusão entre piloto e construtor que marcaria toda a trajetória da organização. Quando finalmente pendurou o capacete, a equipe já era uma realidade consolidada. Foyt simplesmente trocou o cockpit pelo pitwall.

Os maiores pilotos da história da equipe
| Piloto | Período | Destaque |
|---|---|---|
| AJ Foyt Jr. 🇺🇸 | 1965–1993 | 4x Indy 500, 7x campeão USAC — fundador e maior nome da equipe |
| Al Unser Sr. 🇺🇸 | 1983–1986 | 4x vencedor da Indy 500, campeão de gerações distintas |
| Takuma Sato 🇯🇵 | 2013–2016 | Única vitória da equipe nos últimos 20 anos: Long Beach 2013 |
| Vitor Meira 🇧🇷 | 2005–2010 | Referência brasileira da equipe — múltiplos top-10, vice na Indy 500 de 2004 |
| Tony Kanaan 🇧🇷 | 2019–2021 | Campeão da Indy 500 de 2013 — voltou à equipe para a reta final da carreira |
| Mike Conway 🇬🇧 | 2010–2012 | Melhores resultados da equipe na era moderna — rápido e consistente |
Indianápolis: o templo da família Foyt
Se há uma corrida que define a AJ Foyt Enterprises, essa corrida é Indianápolis. A relação da família com o óvalo é visceral e vai muito além dos quatro troféus de AJ Foyt como piloto. Para os Foyt, Indianapolis não é uma etapa do calendário — é uma razão de existir.
Essa crença atravessou gerações. Larry Foyt, filho de AJ, correu pela equipe por anos e hoje é o responsável pelas operações do dia a dia. AJ Foyt IV, neto do fundador, também tentou a carreira nas pistas antes de se dedicar à estrutura interna da organização. A Indy 500 permanece como o objetivo central de cada temporada — o parâmetro pelo qual tudo é medido, a corrida que justifica a existência da equipe.
Caio Collet: o brasileiro que chegou para fazer história
Em 2026, a AJ Foyt Enterprises tem um nome especialmente especial no cockpit do carro número 4: Caio Collet, nascido em 3 de abril de 2002 em São Paulo. O brasileiro chega à IndyCar como um dos talentos mais promissores de sua geração — e com uma trajetória que impressiona pela consistência e pelo ritmo de evolução.

Collet começou nas categorias juniores europeias ainda adolescente. Ganhou o Campeonato de F4 francês em 2018 e logo chamou atenção do mercado. Passou pela Formula Renault Eurocup — onde foi vice-campeão em 2020 — e depois disputou três temporadas na FIA Fórmula 3 (2021–2023), vencendo três corridas ao longo do período. A mudança para a América do Norte, na Indy NXT, foi o passo seguinte: foi eleito Rookie do Ano em 2024 e terminou vice-campeão do campeonato em 2025 — resultado que garantiu sua promoção direta para a IndyCar.

Inspirado por Ayrton Senna e mentoreado por Tony Kanaan e Hélio Castroneves, Collet chega ao grid mais competitivo do automobilismo americano com patrocínio da AJ Foyt Racing e o peso de representar o Brasil na principal categoria do continente. Para a Foyt, é um recomeço com sangue novo. Para o Brasil, é mais um nome na longa lista de pilotos que cruzaram o Atlântico em busca de glória em Indianápolis.

Grid AJ Foyt Enterprises — IndyCar 2026
| Carro | Piloto | Nac. | Chassi / Motor | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| #4 | Caio Collet 🇧🇷 | Brasil | Dallara / Chevrolet | Rookiee 2026 — vice-campeão Indy NXT 2025, patrocínio Combitrans Amazonia |
| #14 | Santino Ferrucci 🇺🇸 | EUA | Dallara / Chevrolet | Veterano da equipe — piloto experiente com múltiplos top-10 na IndyCar |
Piloto reserva: Toby Sowery 🇬🇧 (Reino Unido)
AJ Foyt Enterprises em números (até abr/2026)
| Conquista | Número |
|---|---|
| Fundação da equipe | 1965 |
| Vitórias na Indy 500 (AJ Foyt piloto) | 4 |
| Títulos USAC/IndyCar (AJ Foyt piloto) | 7 |
| Vitória mais recente como equipe | Long Beach 2013 (Sato) |
| Gerações da família Foyt no esporte | 3 |
| Carros inscritos na IndyCar 2026 | 2 |
2026: recomeço com Collet e Ferrucci
Na temporada 2026, a AJ Foyt Enterprises aposta em renovação. Caio Collet traz juventude, talento e o apoio do mercado brasileiro. Santino Ferrucci, veterano da casa, oferece experiência e conhecimento técnico do pacote Chevrolet. A combinação é promissora — e Larry Foyt, filho de AJ e responsável pelas operações da equipe, sabe disso.
O paddock da IndyCar nunca foi tão competitivo, com Penske, Ganassi e Andretti dominando as manchetes. Mas a Foyt tem o que os times mais novos não têm: sessenta anos de história, uma identidade construída corrida a corrida e o peso de um nome que ainda abre portas em qualquer garagem do automobilismo americano.
O legado: por que a Foyt ainda importa
Em um automobilismo cada vez mais dominado por investidores corporativos e estruturas multi-carro com dezenas de engenheiros, a AJ Foyt Enterprises representa algo diferente. É uma equipe fundada por um piloto, gerida por sua família e enraizada numa filosofia simples: você vai à pista para vencer.
AJ Foyt, hoje com mais de noventa anos, ainda aparece nos boxes. Ainda opina. Ainda exige. Para saber mais sobre a temporada 2026, acesse o site oficial da IndyCar. Porque para ele o automobilismo nunca foi um negócio — foi sempre uma vocação. E enquanto essa vocação for passada de geração em geração, a equipe mais antiga da IndyCar continuará sendo uma das histórias mais importantes e mais autênticas de todo o automobilismo americano.